Os benefícios dos organogramas e mapas mentais para estudantes

11 de maio de 2026

Ferramentas de organização de tópicos e ideias centrais podem ser aliados de quem busca simplificar a rotina de estudos 

Para quem deseja ter uma rotina de estudos de alto rendimento, buscar métodos que facilitem a aprendizagem e ao mesmo tempo sejam práticos é fundamental. Uma das maneiras de manter as demandas bem estruturadas e captar os pontos mais importantes da matéria são os organogramas e mapas mentais. Com uma organização de conceitos básica, pode-se acessar com facilidade um conteúdo antes complexo. 

Do ponto de vista pedagógico, os organogramas e mapa mentais já são conhecidos por seus benefícios. A memória voltada para o visual, o reordenamento de um conteúdo antes linear para um dispositivo mais fluido, e o acesso a esse conteúdo com grande facilidade são conhecidos por estudantes e professores em todos os níveis do ensino. 

O pedagogo e docente do Centro Universitário UniFACTHUS, Roberto Campos, explica que, em sua experiência lecionando língua inglesa, a estratégia dos organogramas e mapas mentais são aproveitadas pelos próprios autores de livros didáticos, principalmente no ensino de vocabulário.  

“Um exemplo claro é a abordagem temática dos ‘meios de transporte’, em que se parte de um ponto central dessa designação, e se expande para categorias como ‘terrestres’, ‘aquáticos’ e ‘aéreos’. Alguns estudantes demonstram se beneficiar consideravelmente dessa metodologia”, argumenta.  

Mas ele é direto em expor que essa não é uma experiência universal. Roberto destaca que embora há que reconhecer a eficácia dessas ferramentas para algumas pessoas, ainda não há certeza se esses estudantes são a maioria. “Sei que a eficácia não é totalmente alcançada com as mesmo grau de sucesso para todos”, explica.  

Por que os organogramas e mapas mentais podem facilitam os estudos? 

Os estudos e teorias que evidenciam as vantagens do uso de organogramas e mapas mentais para a rotina de estudos de uma parcela dos estudantes são variados, e trazem aspectos interessantes sobre como se dá nosso processo de aprendizagem. Basicamente, esses dispositivos podem despertar nossa mente para uma série de gatilhos, fazendo com que o ato de estudar seja mais simples, e prologando nossa capacidade de memória.  

Esses estudos estão muito centrados no campo da psicologia cognitiva, que tem por objetivo investigar os métodos que nosso cérebro utiliza para processar e armazenar informações. É justamente nessa área que surge a Teoria da Codificação Dual, do psicólogo e pesquisador canadense Allan Paivio.  

Publicada pela primeira vez em 1971, essa teoria propõe que o cérebro humano utiliza dois sistemas distintos para processar informações, sendo um verbal, com uma configuração linear e sequencial, e outro não verbal ou visual, com incidência sincrônica e espacial. Juntos, a interação desses dois sistemas pode reforçar a capacidade de memorização.  

Dessa forma, se há uma associação visual com alguma palavra ou conceito, a chance de esquecê-la é menor. É nesse processo que os organogramas e mapas mentais tem seu protagonismo, já que podem facilitar essa associação visual ao conteúdo estudado. Em outras palavras, ler o texto e organizar seus ponto-chave em um mapa de conceitos pode potencializar os rendimentos da rotina de estudos.  

Essa capacidade de associar textos a figuras é o que faz com que organogramas e mapas mentais sejam tão utilizados por alunos e docentes. E vai além: para Paivio, quando um estudante “decifra” um texto e o “traduz” num mapa mental, ele está exercitando os dois canais simultaneamente. O resultado são rendimentos muito mais robustos do que só reler o texto.  

Além disso, os organogramas e mapas mentais também podem criar uma relação direta entre os conceitos estudados, estabelecendo uma hierarquia entre eles. Isso faz com que a carga cognitiva utilizada no processamento desses conceitos seja muito menor, o que possibilita a memorização dos conteúdos por um tempo maior.  

Essas ferramentas de estudo também se relacionam com outra teoria bastante conhecida na psicopedagogia: a da aprendizagem significativa, do psicólogo americano David Ausubel. Seguindo seus estudos, há benefícios na aprendizagem quando as novas informações que recebemos ao estudarmos se relacionam com outros conhecimentos prévios.  

Assim, quando além de se fazer a leitura de um texto, se adiciona também um mapa mental, com a devida hierarquia e ligação entre os principais itens, isso tende a reforçar a memória e aumentar a produtividade da rotina de estudos.  

Como fazê-los? 

O organogramas e mapas mentais consistem em basicamente sintetizar as ideias centrais do conteúdo, e os reorganizar de maneira escalonada. Como a ideia é justamente simplificar essas informações, é muito importante que essa ferramenta seja construída de maneira ordenada, com traços legíveis e hierarquização sem grande complexidade.  

A primeira tarefa para os organogramas e mapas mentais é definir os temas centrais. A partir disso, inicia-se suas ramificações, com as informações separadas por tópicos e grupos. No geral, quanto mais “limpo” um mapa mental estiver no quesito organização, mais fácil será revisar seu conteúdo, e consequentemente mais fácil também memorizá-lo. 

Considerando o caráter de memória fotográfica dos organogramas e mapas mentais, também pode ser interessante separar esse tópicos por cores e adicionar figuras – em caso de fazê-los digitalmente. É crucial ainda separar os itens por palavras-chave, evitando qualquer tipo de texto longo. 

Em optar por construí-los digitalmente, é possível utilizar ferramentas como Lucidchart, Miro ou Canva. A vantagem dessas plataformas é justamente o poder de sintetizar ideias de forma complexa sem a preocupação como limitação de espaço físico, além de todo o rigor estético. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional) 

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